| |
| Idealizamos formas diferentes de amar.
Para ti: amor não se finita, mesmo ciente de que isso não corresponde à sua realidade acreditada: é o que você chama de idealização racional.
Para mim: amor não tem nome, é não-amor, e nem chega a ser, nem chega a estar, amor nem é amor, pois ele, que não é ele nem ela nem nós nem isso, não é: amor: amor. Amoramor. Amar?: massa condensada, de umidade seca, mas crescente, que se abunda e vai roubando o fôlego de outros ares e quando se percebe já se está todo em volta de um todo que circula lentamente e sufoca, sufoca e enche os olhos de águas açucaradas, que incomodam a visão e te faz fecha-los com falso desleixo: é que não se quer admitir esse globo fechado. Por dentro: ainda mais dentro, porém antes dos ossos: talvez imprensado entre a carne e a mais íntima parte de um ser, que eu até chamaria de âmago, brota amor, aliás, não brota, amor não tem nome e independe de qualquer surgimento, amor não-é. Amor ama: amorama. Em um oco que nem aquele que ama conhece direito, existe exasperação assustante que eclode de um ponto desconhecido do ser: um oco minúsculo que estimula fluídos invisíveis vai criando um feixe com raios não-proporcionais, porém incrivelmente retos, que saem para fora do corpo: pelos ombros, pelo abdômen, pelas costas, pelo queixo, pelo sexo. Fluídos sensitivos de difícil identificação que mantêm fluxo inconstante e variante intensidade, deixam o ocozinho instável: palpitando tímido. E é um esbaforimento que do nada acontece: trazendo vontades de morte, porque sufoca, prende o oco já irritado com essa uma-espécie de fumaça concentrada que concentra, concentra uma série de partículas infinitas de não-sei-o-quê, porque eu não-sei-o-quê e não-sei-pra-quê. Só sei que de repente cessa. E vem a vontade de filosofia e logo depois, inevitavelmente, o gosto de filosofia. Que se pede para ser degustado: traz odores de flores semi-silvestres e a cor de plantas verdes, bem verdes; o barulhinho aguçado das borbulhas da champagne ou o gostinho do vinho que desliza no vidro da taça e permanece no cantinho da boca; e quadros renascentistas de mulheres nuas ou abstratos com suas linhas e pontos. Ainda pede praia, com alguns todos grãos de areia, ou um lugarzinho aconchegante nos braços ou pescoço de um alguém. Totalidade única, individual e até visível, que se repete, se repete, nos bancos dos ônibus, nas ruas congestionadas, na tela do computador.
É quase assim que eu quase sinto um quase amor.
Mas amor não-é, e mesmo que fosse: não seria. | |
|
| O primeiro cachorro era branco. As manchas encardidas cravadas no branco passavam vultuosas. E eu fingia olhá-lo fixamente enquanto você se aproximava. Aquelas formas circulosas fugidas de suas linhas delimitantes: apenas registradas em única fração fotográfica: a passar com a vontade de um é que acabou de não-morrer, que ficou só no quase: ainda sendo. Mas minha compenetração falsamente lateral, voltada ao cachorro, era sua que vinha que vinha e eu fingindo que não, não vinha. E o cachorro já havia ido embora há tanto tempo, tanto que não mais me lembrava dele: por que os olhos ainda fixos no chão: os olhos ainda fixos no chão, fração temporal de congelamento perdido em um universo paralelo incrivelmente sensorial e de ares palpáveis a olho nu, não fazia tanto tempo assim: as linhas de movimento ainda presas à atmosfera. Olhei querendo e falando com a olhada que foi meio-que-sem-querer — me arrependi — você estava abrindo a boca. É que, é que, eu me senti todo tão, que eu não percebi que era agora, que é agora, mas você está abrindo a boca (!), como você tem coragem de abrir a boca e ainda assim bem lentamente, destravando pecinha por pecinha do epitélio labial como se fosse falar, me fazendo desenhar esperanças de que vai falar e: e isso me assusta!
O segundo cachorro era preto. Tentava cobrir as linhas virtuais deixadas pelo primeiro, mas não conseguia, coitado, tão cambaleante: de pernas espalhadas se arrastando capenga pelo concreto, sustentando o focinho lacrimoso pelo sofrimento de suas feridas abertas, vermelhando mais e mais a carne viva: as manchas doentias do segundo cachorro, ao contrário do primeiro, eram internamente circulosas: proliferam acumulações de dor doída que se auto-reforçam e se concentram na dor, que doía, doía | mas era rápido: muito rápido e perturbador, tão veloz quanto o primeiro, e só vi tudo isso na estaticidade e nem pude sentir direito a sua dor: estranho_____estranho. E você: vou lá, trabalhar — abriu a boca e eu nem percebi! — Seco. A indiferença que não causou choque nenhum em mim: tá. Mentira! Eu quase me diluo em pleno ar e deixei, deixei o ar levar pela esquerda os pedacinhos recortados, os restinhos do eu. Passou tão rápido quanto os cachorros: foi-se, foi-se e desapareceu assim, desse jeito, nem me deu a chance de, nem me | Nada, mas por quê, eu sei por que, eu sei que sei: mansoso, aparentemente recatado, quer-ser-sensível-delicado, extremamente inocente, ingenuidade de tamanha imensurabilidade: cínico. Estava fazendo frio. Cínico. Frio como sempre: frio. Frio. Frio. Frio. Frio. Frio. Frio. Frio. Frio. Frio. Frio. Frio.
Frio.
Frio Frio.
Frio verde. Sempre frio aqui está, mas agora é verde. Clorofila, gosto de clorofila. Passou. Agora, passou. Assopro o friozinho, brincando com a boca, e vejo o verde escuro das plantinhas semi-vivas ganhando gotas gélidas nas linhas de suas folhas. | |
|
| E eu ficando pequenininho: enquanto você dizia que não podia se dar para mim, pois já era de outro. Encolhido circularmente pelo peso de seu bafo peculiar, preenchendo plenamente os espaços vazios entre os átomos dos ares. O seu ataque ocular: cínico: sórdido. A minha falta de coragem, a minha in-coragem, me fazendo olhar para os olhos vesgos de Engels pintado na parede. E, mesmo assim, ainda sentindo a densidade da atmosfera alheia, carregada de abafamento, torturando-me sorrateira e silenciosamente, mesmo que fazendo ruídos espaçados de tambores: a rufar. O rufar do peso frio da sua voz ou o rufar do encolhimento muscular no centro do tórax: um nó na carne engilhando-se e comprimindo um coração e outro qualquer.
Minhas pernas cruzadas no banco frontal demonstrando falso-despojamento natural e você me diminuindo, meio-que-sem-querer, com a sua franqueza sádica: espero que não se importe, você diz. Não, não me importo, por que me importaria. Por que me importaria se tenho mais o quê fazer como ficar mirando e desmirando freneticamente o teto consumido por poeiras, aguentando secretamente a minha agonia agoniar-se. Minúsculo no banco de concreto: a cabeça levantada para mostrar que sou superior a tudo isso, olhando o cima da esquerda, o cima do centro, contudo nunca olhando o cima da direita, onde direitamente estava você, talvez me descobrindo todo em fraqueza ou talvez coisa pior: a indiferença. Eu. Condenado a estar preso à fronteira do cima da direita, pois tombaria ao ver diretamente em seus olhos a sua não-necessidade de mim. Afinal, existia o outro: aquele a quem você havia se dado. E na inútil tentativa de trazer você de volta ao lugar onde nunca esteve, coube avisar: ainda há muito sobre mim que você não sabe. Vai me contar? Não, mas não é difícil descobrir. Eu não tenho essa curiosidade. E a carne engilhada no centro virando pontada e saindo: para fora e para frente, enquanto as laterais dos olhos se enchiam de lágrimas por dentro. Lágrimas secas, com muito sal, e presas nas paredes escuras dos olhos.
E o telefone toca: é você! Mas não, não era mais: era o outro. Os novos futuros já são presentes. | |
|
| É tudo tão confuso que eu não consigo pensar. Quanta besteira, isso tudo é tão inútil. Eu só quero escrever. Eu só queria escrever. Ah, eu me matei semana passada. Não estava aguentando me ter. E agora eu não sei mais o que fazer. Eu finjo ler e as pessoas passam por mim. Encontro-me em um momento inexplicável e eu não quero descobrir qual. Estou num momento bóia. Eu não consigo falar sobre o que estou ouvindo. Estou deslumbrado com tudo isso, preciso destrinchar o todo. | |
|
| Encontro-me em uma biblioteca universitária. Clara, relativamente limpa, com o ar condicionado em uma temperatura agradável, com várias estantes de livros em lados opostos e com várias mesas redondas dispostas no centro do salão. Ao lado direito da porta está um fichário que possibilita encontrar a indicação dos livros; do outro lado, está um mural onde se coloca informativos sobre reserva de livros. Bem perto deste mural está um balcão e no outro extremo da sala, em frente ao balcão, há alguns computadores. Embora não haja completo silêncio, o ruído não é muito alto. É um ambiente relativamente calmo.
Estou sentado na primeira mesa perto da porta. Estou só. Do meu lado esquerdo algumas pessoas procuram livros nas prateleiras. Porém, não estão nos mesmos corredores. Aqueles que procuram livros sozinhos não fazem nenhum ruído e se apresentam curiosos, uns carregam expressão de desconfiança, outros abrem algum livro e se inclinam sobre ele, possivelmente lendo frases soltas. Aqueles que estão em grupos, falam baixo, entretanto apresentam um aspecto mais sorridente, simpático ou bem humorado.
Do meu lado direito, as estantes se mostram solitárias, apenas dão suporte a seus livros, porém ninguém se encontra em seus corredores. Um homem jovem parece se interessar por elas, passa por várias até decidir entrar em um dos corredores e analisar um livro com o mesmo aspecto desconfiado e inclinado semelhante às pessoas do outro lado.
Nas mesas, quatro adultos se encontram solitários em suas respectivas mesas. Eles procuram se manter distantes das outras pessoas e parecem concentrados no que estão lendo. Também se inclinam sobre os livros.
Seis mesas encontram-se ocupadas com grupos. Os integrantes de um grupo têm relações diretas entre si. Mas um grupo não se relaciona com outro. Em cada grupo, seus membros mantêm uma conversação baixa, que parece ser sobre um determinado assunto de pesquisa, provavelmente o motivo principal que os trouxe até aqui. Os membros de cada um deles estão levemente agitados, enquanto os solitários encontram-se estáticos. Os grupos são formados, pelo menos, por mais de três pessoas.
Perto da porta, no balcão, estão quatro mulheres jovens e uma madura. Elas conversam simpaticamente entre si, provavelmente assuntos relacionados à biblioteca, e mexem em livros que estão dispostas em suas mesas. Fazem algum barulho, mantêm o bom humor. Ninguém está solicitando informação ou empréstimo de livros no momento.
No lado onde ficam os computadores, há apenas uma pessoa acessando uma máquina e mantendo contato com uma mulher que está sentada ao lado, mas que não mexe em nenhum computador, parece ser funcionária da biblioteca.
Há ainda algumas pessoas que andam eventualmente pelo salão com bastante calma. | |
|
| Resolvi falar sobre a minha dor, aí desisti.
Não consigo escrever. Não consigo pensar sobre o quê escrever, aí vou escrevendo sem pensar, deixando a mão fazer o que ela quiser. Eu ouço meninas extéricas brincando na casa vizinha e acabei de comer um bombom de banana, que não é muito bom. Espera, vou pegar um melhor. pronto. Poxa, esse crocante é muito melhor, mesmo tendo amendoim - e eu não gosto de amendoim, mas essa tá legal. Hum, queria escrever alguma coisa viajanista, mas não consigo viajar, não consigo nem pensar direito. É, nos últimos dias tenho feito coisas sem pensar, mas tudo bem, dessa vez eu realmente não estou me importando. Espera: vou pegar outro bombom. Esse de rum também é uma delícia. Ah, esqueci de dizer: eu tô sentado no vaso sanitário. Mas já terminei o que vim fazer, é que eu tô com preguiça de me levantar. Aí tô aqui comendo chocolate e tentando escrever, mas não sai nada e eu também não vou forçar, ainda tô cansado dos textos fakes. Vou pegar outro bombom. Um Serenata de Amor é sempre bem vindo - delicioso. Sim, eu tava falando de mim, aliás, da ausência de mim no meu eu interno. Deixa eu ler o que escrevi lá em cima para retornar ao assunto. Ah, era. Tava falando dos meus textos tão mecanizados... Pois é, ainda tô com nojo deles. Então, eu tô aqui no banheiro, essas pestes da outra casa estão gritando e eu vou parar de comer chocolate para não acabar com todos os meus bombons. E como já tá ficando tarde - anoitecendo -, eu vou voltar pra internet, afinal, já saíram duas bostas aqui: a que eu vou dar descarga já já e esse texto que eu vou terminar agora quando colocar o ponto final. Pronto | |
|
| Não consigo escrever. Não consigo ler.
Estou cansado de ser. Eu queria poder interromper tudo isso por alguns minutos.
Não consigo nem estar direito. Tem uma dor latejando a minha cabeça há dias. E não estou ficando doente porque essa coisa que tá me agoniando eu não consigo apalpar, é muito seco, meio que impegável, sei lá.
Eu tô com dor de vida. Porque eu tenho uma nas mãos e não sei o que fazer com ela. Antes eu sabia, mas há dias já não sei mais e se ela continuar me enchendo o saco vou jogá-la fora. Porque já tô jogando um monte de coisa: desisti dos livros, dos escritos, das músicas, das páginas da internet e das pessoas que me desagradam - a maioria. Essa coisa tosca que tá presa tá me dando raiva e nojo de mim, porque ela tá querendo sair e quando inflama, inflama na carne falsa que é a minha e então a repulsa de mim é grande e isso me faz repudiar o tudo.
E essa dor tá me deixando vazio, eu tô me sentindo vazio, oco, sem nada, sem saber o que fazer de mim, sem saber o que ser, sem saber o que não devo ser, sem saber se posso me deixar ser, sem saber se posso ser sem ser, ou ser apenas sendo.
E é um vazio estranho, porque parece mesmo que tá vazio. É um vazio tão seco, não sei explicar, mas é algo ainda mais seco do que seco - é que eu não tô lembrando a palavra certa agora e eu cansei de ficar tentando achar palavras bonitas ou não-repetitivas porque eu não tô afim de escrever, mas eu não aguento mais e tô fazendo isso na doida. Eu quero mais é que se foda mesmo, é, foda-se. Tô agressivo mesmo e arrogante, e não tô nem aí. Cansei de vocês, mesmo sem saber quem vocês são e mesmo sabendo que vocês também não sabem. É que eu cansei e não tô afim de fazer nenhum tipo de força. Vou ficar parado como eu tô, vegetando, sem ler, sem escrever, sem pensar muito, porque esse negócio de pensar dói também e eu tô cansado de tudo isso, esse tudo que não acaba mais, que só cresce e cresce e cresce sem motivo, sem propósito. Pra que serve toda essa merda de vida então? Pra me deixar com uma puta dúvida do quem sou eu? e pra me deixar com essa dor desgraçada que não quer passar e nem ao menos diminuir, nem mesmo quando eu tô parado no canto vegetando????!!!!
Não, tô de saco cheio, cansei de escrever. Eu não queria escrever, mas saiu, saiu essa porra: gostou não? Eu também não. Então faça como eu: se mate. | |
|
| Estou com vontade de Natureza.
Hoje andei na praia. Ah, o vento. Que delícia é o vento marítimo de fim de tarde correndo violentamente em direção ao que eu não sei. E o cheiro de água salgada misturado ao perfume de peixes vivos que o mar exala! Mesmo com toda poluição que eu vi na areia, mesmo com todos os riachos negros de dendritos que deságuam impiedosamente no oceano, o mar continua lindo! E traz uma satisfação tão suave para quem respira e sente a maresia. Renova a vontade de viver. E mesmo sem saber para quê, dá entusiasmo para continuar ou para recomeçar. Diante dessa vastidão as verdades são mais facilmente anuladas, sabe-se apenas que a partir dali uma coisa nova pode começar. Coisas novas sempre podem começar, de qualquer jeito. Mas ali, diante do mar, a vontade era tão maior, tão mais plena. Como se o corpo se desse conta de que é impotente e que precisa se apressar, se apressar para quê? É agoniante, porém traz satisfação suave.
Hoje andei na praia. Fui tentar sentir a Natureza e captar seus sons. Procurei captar todos ao meu redor, mas o som que eu mais procurei, foi o mais difícil de ouvir. Era o silêncio. Mas não o silêncio silencioso, e sim o silêncio tranqüilo, que só a Natureza poderia me proporcionar. Hoje eu queria que o mundo se desligasse e que o congestionamento de sons urbanos não abafasse o silêncio da Natureza. Consegui ouvir não-claramente o vento, consegui ouvir não-claramente as ondas que quebravam na areia. Tentei ouvir o som das plantas respirando-vivendo — escassas existências litorâneas que vez ou outra apareciam na longa passarela de concreto. Tentei ouvir os prédios antigos e a lataria metálica dos carros que passavam apressados por mim — pois sim, essas coisas também faziam parte da Natureza, só haviam sido cruelmente transformadas. Pouco consegui ouvir, mas a minha tarde não estava perdida, ainda havia o mar, e o mar por si só já valia tudo.
E a vontade de entrar naquela imensidão atraente se fez mais forte hoje. Apenas hoje quase caminho naquela areia poluída e quase abraço as ondas não-violentas daquele mar, contaminado pela insensatez humana. Não o fiz, por quê?
Hoje andei na praia e, já no fim do devaneio, olhei para o céu e vi uma reunião de nuvens que formavam uma só. Queria penetrar o mar, pois apontava para baixo, em sua direção. Seria fatal. Imediatamente me veio à cabeça pintar um quadro daquela cena, mas não sei pintar. E o sol já se escondia por detrás dos prédios, grande bola amarela sem forma, mas pesada. E o laranja do crepúsculo já se misturava ao azul, formando uma nova cor que já deixava o ar mais cinza. E para mim aquele cheiro cinza tinha gosto de chá ou de melancolia ou de inspiração. Fiquei só com a inspiração. Pois hoje eu estava com vontade de Natureza, e só. Atravessei a rua sem prestar muita atenção, não parava de olhar para cima, afinal o pequeno espetáculo que se formava no céu merecia mais de mim. Constantemente virava meu rosto para trás, para ver se a nuvem finalmente entrava no mar. E ela parecia parada. A cidade inteira se movimentando veloz e a nuvem parada! Eu não podia esperar mais. E ela parecia tão perto, tão perto.
E o vento salgado me acompanhou até a porta de casa. - Música:Marisa Monte - Vilarejo
| |
|
| |